quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Hábitos de Estudos - Estudar Também se Aprende



                                                       
Nada melhor que a volta às aulas para os pais e professores reforçarem a autoestima da criança destacando seus aspectos positivos e suas potencialidades direcionando para autonomia, responsabilidade, organização e satisfação em cumprir seus deveres.

Algumas sugestões para tornar esse momento agradável!


1. Ter um espaço em casa definido para os estudos, com o material necessário disponível, bem iluminado e tranquilo. É importante que o momento do tema de casa seja produtivo e também prazeroso, é uma atividade de responsabilidade da criança. Cabe aos pais organizarem e orientarem nos primeiros anos escolares em caso de necessidade.



2. Uma rotina de estudos planejada, horário estabelecido com o objetivo de reforçar os conteúdos da aula evita os momentos de ansiedade antes de uma prova ou entrega de trabalhos. Muitas vezes a criança desiste de estudar, pois se dá conta que não domina grande parte dos conteúdos ou tem seu material incompleto, anotações desorganizadas e ilegíveis. Organizando-se sistematicamente a matéria estará sempre em dia.



3. Iniciar os estudos pela matéria que tem facilidade ou preferência é mais interessante, pois o aluno vai sentir-se estimulado para enfrentar as dificuldades que poderão surgir com as outras disciplinas.



4. É indicado utilizar-se de agendas, cartazes, lembretes para facilitar a organização do estudante. (Colar cartazes no local de estudo e de fácil visualização, riscando sempre os deveres que já foram concluídos dá uma sensação de vitória a cada etapa vencida e a oportunidade da criança enxergar tudo que já fez).



5. Ensinar o hábito da leitura, também é responsabilidade dos pais. Oportunizar (com bom senso) que a criança escolha o que vai ler, conversar sobre essa leitura, trocar ideias, mostrar interesse no que ela está lendo. É uma boa maneira de trabalhar interpretação, compreensão, sequência de fatos e aprimorar o vocabulário. Consultar um dicionário quando houver dúvidas é importante para enriquecer a leitura, a compreensão e a escrita.



6. É tarefa dos pais ajudarem o estudante a se organizar sem ter que resolver por elas. O tema de casa é uma atividade de reforço entre o aluno e o professor. Bem seguro e confiante - o estudante - vai dar conta muito cedo de seus compromissos alcançando sucesso na escola e na vida pessoal.

Sandra H. Pio         Psicopedagoga Reg. MEC 7526

domingo, 9 de outubro de 2016

As Dificuldades de Aprendizagem na Educação Infantil

As dificuldades de aprendizagem que aparecem precocemente em crianças, muitas vezes são tratadas pela família e a escola como algo que vai passar. Isto nem sempre acontece, na maioria das vezes estas dificuldades de aprendizagem podem estar ligadas a um transtorno do desenvolvimento e irão acompanhar a criança na escola regular.

Imaturidade não é a única causa de tais transtornos, uma avaliação cuidadosa realizada por um profissional especializado é o mais indicado, desde o momento em que alguma dificuldade se manifeste, independente da idade. Uma observação de extrema importância; não devemos esperar que a criança resolva sozinha acreditando que cada um tem seu tempo. Em muitos casos estamos perdendo tempo para estimular e tratar adequadamente. Por isso a importância de conhecer as fases do desenvolvimento infantil.

Especialistas em educação afirmam - Crianças que apresentam dificuldades em acompanhar o ritmo da sua turma na aquisição de novas habilidades básicas, estão mais propensas em apresentar problemas nas diferentes áreas nos anos escolares futuros, manifestando-se na área cognitiva, social e emocional.

Cabe ao professor na Educação Infantil estar atento nestas primeiras experiências da criança. O desempenho escolar está iniciando e lacunas não deverão acompanhá-la. Caso contrário, a criança começa a formar uma baixa autoestima, medo ou resistência para enfrentar as dificuldades, desistir da busca pelo novo, da curiosidade e a demonstrar pouco prazer em aprender.

A criança pequena ainda não verbaliza os seus sentimentos, os sintomas poderão manifestar-se de diferentes formas. Ela pode tornar-se ansiosa, agressiva, isolar-se, não dormir bem, apresentar condutas regressivas, como urinar na cama, roer unha, morder, chorar por qualquer coisa, etc. Algumas se dizem cansadas e dores imaginárias aparecem ou irritação constante. Estão sempre frustradas e insatisfeitas.

A criança saudável demonstra muita curiosidade. Cabe ao professor dirigir um olhar de investigação para aquela criança que não se interessa pelas novidades. Muitas vezes mesmo se esforçando a criança não consegue acompanhar o ritmo de seus coleguinhas na aprendizagem.

A escola deverá em conjunto com a família buscar meios de ajudar, visto que nesta faixa etária sua identidade está em formação.

Em fase inicial de aprendizagem, a criança ser mal sucedida pode ser alvo de críticas e cobranças constantes por parte da família e até mesmo da escola. O contrário deve acontecer. Deve ser estimulada para vencer suas dificuldades e valorizada em suas conquistas sempre respeitando suas produções.

A criança que apresenta dificuldades passa a acreditar que é diferente dos demais por não conseguir bons resultados. Apesar de seus esforços tenderá a se achar menos capacitada e cada vez investe menos na aprendizagem que passa a ser algo que não lhe traz prazer e sim sofrimento.

Cabe aos profissionais da Educação Infantil o olhar específico para o desenvolvimento da criança. É indispensável, conhecer as características das faixas etárias. É através de observações diárias, de jogos e brincadeiras, de comportamentos manifestos da criança que o adulto estimula e acompanha o desempenho para em caso de necessidade poder solicitar à família uma avaliação de um especialista.

Afastar desde cedo problemas significativos de aprendizagem que poderão prejudicar seu desenvolvimento colaborando para o insucesso não só na vida escolar como na vida pessoal desta criança é responsabilidade da família e de todos os profissionais da educação que acompanham a criança.

Sandra H. Pio – Psicopedagoga
Psicopedagoga Reg.MEC 7526 Porto Alegre

sandra@sulmail.com

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Professor pode saber conteúdo, mas não aprende a ensinar, diz educadora

Se a sociedade brasileira deseja mais qualidade em educação, a formação dos nossos professores precisa ser debatida. Essa é a opinião da educadora Guiomar Namo de Mello, diretora da EBRAP (Escola Brasileira de Professores) e uma das palestrantes da Bett Brasil Educar 2016, evento que ocorre em São Paulo nesta semana.

Segundo a educadora, formada pela USP e com pós-doutorado em Londres, o professor brasileiro precisa de orientação e de uma formação melhor, já que, na média, ele não tem um grande domínio do conteúdo que tem de ser ensinado e, muito menos, da maneira como esse assunto deve ser transmitido.

"Não temos um prêmio Nobel em cada sala de aula lecionando. O nosso professor, infelizmente, tem uma formação que deixa muito a desejar. Além de saber o conteúdo, o professor tem de dominar a pedagogia desse conteúdo", afirmou. "Fazer a passagem daquilo que o professor aprendeu para aquilo que ele vai ensinar exige esforço, conceituação e uma prática que você só vai forjando com a experiência", completou.

Professor não aprende a ensinar

Um dos principais problemas da formação de professores no Brasil é que não há especialista em didática de disciplina. Quem leciona matemática, por exemplo, passou um grande treinamento, na faculdade, de matemática. No entanto, não necessariamente esse profissional aprendeu a ensinar matemática para outras pessoas.

"O Brasil não tem pós-graduação sobre o ensino das coisas. Não possui professores que ensinem a ensinar", disse. "Como a matemática tem que ser ensinada nas escolas? Como a do engenheiro? Essa pergunta não é trivial. Na verdade, a sociedade tem desprezo pelo ato de ensinar que é complexo e nobre", completou.

Outro grave problema é a falta de domínio do conteúdo de alguns docentes.
Para Guiomar, os professores de 1º a 5º ano precisam também ter mais aulas do conteúdo que ensinam.

"Tem muito aluno de pedagogia, que vai se tornar professor, que entra na faculdade sem dominar português e matemática. Esse estudante não tem preparo técnico e não sabe nada", disparou a educadora.
Base Nacional Comum Curricular

Recentemente, o governo federal, ainda sob o comando da presidente Dilma Rousseff, apresentou a segunda versão da Base Nacional Comum Curricular. Esse currículo tem como meta preparar conteúdos mínimos para serem ministrados a alunos de todo o país e, com isso, reduzir as desigualdades de ensino.

Apesar de apoiar a ideia, Guiomar faz muitas críticas à maneira como vem sendo implantada.

"Discutir currículo talvez seja a coisa mais complexa na educação, pois estamos trabalhando em um campo de hegemonia ideológica. Além disso, ninguém no Brasil tem experiência de construção curricular sólida. Nos EUA, por exemplo, a construção de uma base curricular comum foi uma história longa e muito tumultuada", contou.

"O MEC resolveu fazer a base nacional no tempo político e não pedagógico e estabeleceu prazos que não são certos. A primeira versão saiu ruim, sem um preparo sério pra isso. Na segunda versão muita coisa mudou, mas ainda faltam outras tantas. Existe um tom de currículo como bandeira política e ideológica", acrescentou.

Fonte: UOL

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dificuldades de Aprendizagem

A influência dos pais é importante para criar hábitos como a leitura, por exemplo? De que forma?

Sim, as crianças aprendem pelo modelo. Se os pais são leitores assíduos, lêem por prazer e discutem as informações com a criança estão passando para ela que ler é importante, traz informações e novidades. Oportunizar visitas em livrarias possibilitando que a criança escolha um livrinho que lhe interesse, dentro de sua faixa etária, é uma boa técnica para despertar o interesse pela leitura. Esses pais estarão ensinando a criança a formar hábitos de leitura. É também importante que os pais se interessem pela leitura da criança, conversem, interroguem, é um bom exercício de interpretação e compreensão.

Quais são os principais sinais que indicam problemas na aprendizagem?

Desde muito cedo poderemos detectar que existem problemas de aprendizagem. Na maioria dos casos vai “aparecer” quando a criança ingressa na escola de ensino regular, mas se a criança frequenta pré-escola as dificuldades já podem ser evidentes ou se a família está atenta também observa suas limitações. Existe uma falsa ideia de que ela é imatura e que o tempo vai ajudar. Acredito que quanto maior o tempo de espera para buscar um profissional especializado, maior sofrimento para a criança e a dificuldade tende a aumentar. Os principais sintomas são os atrasos no desenvolvimento que se observa na criança em comparação com todos de sua faixa etária. Por exemplo, uma criança com dois anos que não fala, uma criança de cinco anos com dificuldades motoras, uma criança de seis anos que não reconheça letras que não conheça os números, etc. A criança nos indica de formas diversas, mas o olhar do professor deve ser de perceber as dificuldades. O professor não necessariamente vai precisar tratar a dificuldade basta avaliar que esta criança precisa ser acompanhada por um especialista em casos mais severos. Um alerta importante, a criança quietinha, que não incomoda e que não termina a tarefa junto com a turma, ela não é “preguiçosa” ela pode estar enfrentando alguma dificuldade.

Como detectar as causas que desencadeiam tais problemas?

Na escola, os professores devem ter conhecimento das características das faixas etárias. Se a criança não está respondendo aos estímulos adequadamente, uma avaliação médica, psicológica, psicopedagógica ou fonoaudiológica deve ser solicitada. As causas são muitas, cada caso é um. Podem ser dificuldades de causas variadas, de ordem neurológica ou emocional. Só mesmo uma avaliação especializada poderá detectar uma dificuldade ou atraso. A família é fundamental, se os pais estão dispostos a enfrentar juntos a dificuldade, provavelmente a criança será a maior beneficiada neste processo.

Envelhecimento dos Pais

Que tipo de prejuízo os pais que não sabem envelhecer causam aos filhos?

Eu não diria o que é saber envelhecer. Cada um envelhece de acordo com o tipo de vida que sempre levou. Pessoas bem resolvidas, que administram suas vidas afetiva e financeiramente de maneira saudável, terão se planejado para uma velhice mais tranquila. Já os pais que sempre foram desorganizados terão dificuldades na velhice. Portanto acredito que estes filhos então adultos já conhecem o comportamento de seus pais e saberão lidar com cada um. Não será a velhice que vai trazer prejuízos.

Qual é a melhor forma de enfrentar a realidade do envelhecer encarada no crescimento dos filhos?

Enfrentar o envelhecimento é enfrentar a vida. Ter objetivos, planejamento e autoestima. Acreditar que a vida nos apresenta fases e vivê-las da melhor maneira, trabalhando, cuidando da vida afetiva, vivendo bons momentos de lazer e aceitando as etapas e suas características. Temos que saber aproveitar as oportunidades sempre. E elas aparecem independente da idade. Os filhos crescem e nós crescemos junto com eles.


É comum, atualmente, os pais não lidarem bem com o envelhecimento? Por quê?

Eu acredito que as pessoas estão lidando muito bem com o envelhecimento, nunca vi e ouvi tanta gente madura lidando bem com o envelhecimento. As pessoas trabalham mais, estudam, se casam novamente, viajam. Cognitivamente os velhos estão mais ativos e fisicamente também, as academias, os parques mostram o número de pessoas mais velhas em atividade.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Conversando sobre Inclusão Escolar

Pergunta 1 - Como o professor deve estabelecer a relação em sala de aula com criança com TEA?

Sandra - O professor deve procurar tratar a criança da mesma maneira que trata as demais. Caso contrário a Inclusão estará prejudicada. A principal condição para uma boa relação professor – aluno é a aceitação. Numa sala de aula nenhuma criança é igual à outra ou aprende do mesmo jeito, cada um tem suas habilidades e dificuldades. Claro que em alguns casos o professor vai precisar de um olhar mais atento, técnico para atender a necessidade daquele aluno. Algumas situações como; ajudar na organização dos materiais, na data, nos temas, na realização de alguma tarefa, são meios do professor se relacionar individualmente que propiciam um vínculo de confiança necessário para a aprendizagem. O ideal é que com o passar do ano letivo o aluno posso integrar-se no ritmo da turma. Sabe-se que com alunos TEA, dependendo do caso, a necessidade de um mediador é fundamental.


Pergunta 2 - E com outras crianças que também apresentem alterações neurológicas?

Sandra - Penso que a relação professor – aluno deve acontecer baseada no afeto, na aceitação do “diferente”, no compromisso de atender as necessidades da criança dentro de suas possibilidades, seja qual for a dificuldade, síndrome ou deficiência. O professor tem que planejar a partir da realidade da turma e muitas vezes, no caso da Inclusão, atendendo individualmente a criança através de um Plano Individualizado que contemple suas habilidades.


Pergunta 3 - Como os pais dessas crianças devem se relacionar com os professores dos seus filhos?

Sandra - Esta pergunta é bastante difícil nos dias de hoje. Esta relação tem que ser bem construída, com ética, conhecimento e respeito. O ideal é que seja uma troca diária de confiança e responsabilidades da forma mais verdadeira possível.


Pergunta 4 - Como esses pais devem participar das atividades escolares?

Sandra - Os pais devem participar como todos os outros, nos momentos que a escola solicita sua participação ou presença. Acredito na Inclusão quando a escola coloca o aluno deficiente no mesmo patamar dos demais. Se os pais exigirem além do que a escola oferece para todos, deixa de ser Inclusão. Vejo muita escola excluindo em vez de incluir. Os pais no momento que contratam o serviço devem procurar conhecer e ler o Projeto Político Pedagógico, certificar-se se é uma escola que acredita e investe na Inclusão, se os professores têm formação necessária. Após este contato, com matrícula realizada devem atender e respeitar as regras com confiança. Lógico que observando as adaptações necessárias para a necessidade da criança; laudo médico em caso de necessidade de Plano Individual de Ensino e outros de acordo com o caso. Inclusão só acontece quando família e escola trabalham juntas com respeito e conhecimento para não prejudicar por falta ou excesso de cuidados.


Pergunta 5 - Como o professor conduz a mediação de conflitos entre alunos quando um deles é especial?

Sandra - É fundamental que os professores tenham conhecimento da deficiência do aluno, dos sintomas, das características e de métodos de manejo. Desde a Educação Infantil é extremamente importante trabalhar com os demais sobre as diferenças. Eu particularmente gosto muito de orientar professores e famílias usando uma frase “Ninguém é Igual a Ninguém” – faz bem para todos, deficientes ou não. No caso de um conflito, o professor deve mediar ouvindo os dois lados, não é porque o colega é deficiente que ele tem direito de desrespeitar o outro. O deficiente merece ser educado para ter boas maneiras, na escola e lá fora. Por vezes, o professor vai ter que falar individualmente com a criança típica e solicitar compreensão, respeito à dificuldade do colega e ensinar que ele demora mais para compreender por causa da deficiência. É importante o professor falar claramente, tratar com a verdade para que os colegas aprendam a respeitar e conhecer a dificuldade do outro. Mediar sempre, ouvindo os dois lados e de forma imparcial decidir com justiça.


Pergunta 6 - Como o professor lida com a indisciplina escolar de um aluno especial?

Sandra - O professor não pode permitir indisciplina na sala de aula tendo alunos de Inclusão ou não. A criança deficiente precisa de regras e limites como todos os outros. Por vezes o professor tem que ser mais repetitivo porque a criança por ter uma deficiência pode demorar mais a aprender. Em conversa com a família, com os especialistas, é indicado planejar meios de prevenção, no caso de acontecer, mostrar que não é aceito e retomar sempre que necessário. Temos que considerar que a criança vai crescer e vai precisar se inserir na sociedade. A escola é a instituição responsável junto com a família em prepará-la para a vida, de forma saudável, respeitando as regras, integrada e interagindo com os demais para se tornar um adulto feliz, com autonomia, dentro de suas condições.